Segundo o livro “Do ensaio sobre os costumes e o espírito
das nações” de Voltaire, capítulo CXXI, no qual ele narra os costumes europeus
durante o século XV e XVI, a França passou por uma transformação cultural, a
qual será narrada a seguir.
Eram os cardeais que governavam o
Estado de Primeira mão. Luís XII era governado pelo cardeal de Amboise, por
exemplo, e Francisco I, seu sucessor, nomeou o cardeal Duprat como ministro,
provando a influência da Igreja na política. O povo via os cardeais como mais
aptos a governar do que os generais e cortesãos por conta de seu amplo
conhecimento dos negócios públicos. Os governos ainda aprendiam a lidar com a
recém-surgida classe burguesa e aprendia a regulamentar o mercado, o que levou
a vários erros que transformaram a cultura e a economia do período.
Nesse período as guerras feudais são proibidas e reina o
período cavalheiresco no qual os duelos são legalizados por todo o reino. Os
cavaleiros possuem fé esplendorosa e comungavam e confessavam antes de cada
duelo para e prepararem para a morte iminente. Eles possuem um padrinho que se
encarrega de arrumar suas armas e conferir se os mesmo não carregam consigo
amuletos que possam trazer azar, pois os cavaleiros eram também supersticiosos.
Também é costume dos cavaleiros viajar a terras distantes para terem o
reconhecimento de seu nome e conquistar a mão de donzelas. Torneios
clandestinos eram práticas condenadas pela Igreja, por não serem regidos pela
mesma, porém eram altamente praticados. Era costume aos senhores de alta
linhagem levar suas mulheres ao campo para um passeio à garupa do cavalo.
O rei Francisco I (1494-1547) deseja ter uma corte tão
luxuosa e requintada quanto as cortes das cidades italianas e toda a cultura
dessa época se volta às questões de moda e ostentação. O termo Majestade é
atribuído aos reis nesse período e as fortunas particulares crescem e se
acumulam em grande quantidade, porém havia em Paris apenas duas carruagens e a
maior parte das pessoas andava à cavalo. Os soldados franceses em guerras eram
os mais admirados da Europa, porém os gritos de guerra estavam abolidos e a
moda dominava sobre a produção dos trajes militares no lugar da utilidade.
Havia tecidos feitos de ouro e prata muitas vezes com técnicas rústicas de
ourivesaria, porém houve parcial proibição desses tecidos, fazendo com que a
moda se voltasse à seda prata e ouro em pequenas quantidades. É nessa era que a
moda francesa torna-se tendência por toda a Europa. Há o caso em que o Papa
Júlio II torna-se o primeiro a deixar a barba crescer e, em seguida, Francisco
I da França copia o estilo, a partir desse acontecimento toda a corte francesa
passa a adotar a ideia, a qual permanece por gerações.
Voltaire considera os franceses ignorantes na arte e ciência desse
período por sua grande superstição que os leva a considerar certas inovações
feitiçarias.![]() |
| Francisco I, rei da França |

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