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A aventura colonial francesa se inicia na era dos
corsários, durante o Séc. XVI, quando o rei Francisco I envia Giovanni de
Verrazzano em 1524 para explorar a América pela França em busca de uma passagem
ao extremo norte ainda não explorado. Verrazzano chega à Baía de Nova York em
seu navio Delfina, o único sobrevivente dentre os quatro que partiram da
França. Em 1534 houve a tentativa de Jacques Cartier de colonizar o Rio São
Lourenço. Já eram realizadas empreitadas de exploração da costa americana pelos
franceses, sendo o litoral brasileiro responsável pela geração de produtos
raros como pau-brasil, especiarias, papagaios e micos, os quais eram avidamente
negociados com os nativos de cada região.
Em 1555, Nicolau Villegagnon, incentivado pelo rei
Henrique II, inicia uma colônia de protestantes com dois navios que levaram 600
pessoas ao Novo Mundo em novembro desse ano. Sua missão era fundar uma base
naval na região que facilitasse ações corsárias contra navios ibéricos. Essa
colônia é instalada na Baía de Guanabara e passa a se denominar França
Antártica. Villegagnon se alia aos Tamoios, nativos conhecidos também pelo nome
de Tupinambá e que possuíam rivalidades com os indígenas conhecidos por
Maracajá, aliados dos portugueses. O chefe tamoio Cunhambebe havia, há poucos
anos, criado a Confederação dos Tamoios, a qual unificou seu povo.
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| Cunhambebe |
Foi fundado
na Ilha do Governador o Forte Coligny pelos franceses para garantir seu
desenvolvimento na região.
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| Forte Coligny |
Problemas surgem quando Villegagnon se converte
novamente ao cristianismo e passa a prender, exilar e expulsar inúmeros
colonos, sobretudo a partir de 1557, quando chega uma nova leva de colonos que
traz consigo padres calvinistas. Então em 1560, Mem de Sá ataca a colônia
francesa com 26 navios de guerra e apoio dos aliados Maracajá, destruindo o
forte de Coligny, porém apenas sete anos depois é que Estácio de Sá elimina o
restante dos colonos franceses da Baía.
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| Ruínas Forte de Villegagnon |
Em 1596 um nobre francês chamado Charles des Vaux retorna
à França após passar dois anos entre tupis na região do Maranhão com o intuito
de falar ao rei Henrique IV a fim de convencê-lo a fundar colônia no local.
Então em 1607 o rei envia Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, ao
Brasil para comprovar as afirmações de des Vaux, porém, ao retornar, descobre
que o rei havia sido assassinado por um católico fanático com perturbações
mentais. Sendo assim, a corte não dá a La Ravardière mais do que sua permissão
para a criação da desejada colônia, por conta da nova instabilidade política
gerada e é apenas em 1611 que a rainha regente Maria de Medici o nomeia
Lugar-tenente, posição que concedia apoio da coroa à colonização. Assim, em 1612,
incentivados por Maria de Medici, a qual recomenda a predominância católica na
colonização, os franceses realizam sua segunda tentativa de colonizar o Brasil,
dessa vez dando o nome à sua colônia de “França Equinocial”.
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| Capital da França Equinocial |
La Ravardière, Lugar-tenente
General da Marinha Francesa, os colonos constroem o Forte de São Luís para
proteger o território conquistado. A coroa passou a dar mais atenção à
colonização, a qual é efetivada e comandada pela Companhia de São Cristóvão,
empresa privada que recebeu concessão do Estado para colonizar e que fazia uso
de homens marginalizados como força de trabalho, sendo caracterizada como
“servidão branca”. Charles des Vaux foi o enviado para comunicar sua chegada
aos chefes e anciãos tupis da região. Os últimos acolheram de bons grados os
franceses, sua fé e suas mercadorias e os líderes da expedição passaram seus
dias indo de aldeia em aldeia se apresentar aos nativos, tal qual faziam os
padres que os acompanhavam. Era necessário conseguir apoio maior da coroa,
portanto Rasilly, um dos líderes da expedição que também recebera título de
Lugar-tenente, decide viajar à França. Tal ato leva os aliados nativos a
enviarem com ele seis de seus homens, dos quais apenas três regressaram devido
ás condições não comuns aos organismos dos nativos. Em 12 de abril de 1613,
Rasilly e os três tupinambás chegam à França e recebem uma grande comoção entre
o povo e um grande interesse na corte, desfilando pelas ruas, dançando e
tocando músicas nativas, sendo recebidos como embaixadores no Louvre, sendo
batizados – tendo o rei e a rainha regente como padrinhos – e casados com
francesas. Eles retornam em 1614 ao Brasil com uma leva de nobres, padres e
artesãos; Rasilly permanece na França com o intuito de conseguir ainda mais
apoio da Metrópole. Em 1613, Portugal envia Gaspar de Souza à Pernambuco com a
ordem de reconquistar o Maranhão. As batalhas iniciaram ao final de 1614 e
tiveram um período de trégua e negociação, é em novembro de 1615 que a trégua
termina e os portugueses tomam o forte na batalha de Guaxenduba.
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| Batalha de Guaxenduba |
No mesmo mês,
o rei Luís XIII se casou com Ana da Áustria, herdeira do trono espanhol; tal
casamento faz com que França e Espanha tenham entre si uma aliança que leva a
colônia do Maranhão ao esquecimento devido ao período de União Ibérica (1580 –
1640) que estava vigente no momento. À partir desse fato a França volta seu
interesse colonial para a América do Norte.
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