domingo, 3 de abril de 2016

Cultura Francesa Séc. XVI, segundo Voltaire

Segundo o livro “Do ensaio sobre os costumes e o espírito das nações” de Voltaire, capítulo CXXI, no qual ele narra os costumes europeus durante o século XV e XVI, a França passou por uma transformação cultural, a qual será narrada a seguir.
          Eram os cardeais que governavam o Estado de Primeira mão. Luís XII era governado pelo cardeal de Amboise, por exemplo, e Francisco I, seu sucessor, nomeou o cardeal Duprat como ministro, provando a influência da Igreja na política. O povo via os cardeais como mais aptos a governar do que os generais e cortesãos por conta de seu amplo conhecimento dos negócios públicos. Os governos ainda aprendiam a lidar com a recém-surgida classe burguesa e aprendia a regulamentar o mercado, o que levou a vários erros que transformaram a cultura e a economia do período.
Nesse período as guerras feudais são proibidas e reina o período cavalheiresco no qual os duelos são legalizados por todo o reino. Os cavaleiros possuem fé esplendorosa e comungavam e confessavam antes de cada duelo para e prepararem para a morte iminente. Eles possuem um padrinho que se encarrega de arrumar suas armas e conferir se os mesmo não carregam consigo amuletos que possam trazer azar, pois os cavaleiros eram também supersticiosos. Também é costume dos cavaleiros viajar a terras distantes para terem o reconhecimento de seu nome e conquistar a mão de donzelas. Torneios clandestinos eram práticas condenadas pela Igreja, por não serem regidos pela mesma, porém eram altamente praticados. Era costume aos senhores de alta linhagem levar suas mulheres ao campo para um passeio à garupa do cavalo.
O rei Francisco I (1494-1547) deseja ter uma corte tão luxuosa e requintada quanto as cortes das cidades italianas e toda a cultura dessa época se volta às questões de moda e ostentação. O termo Majestade é atribuído aos reis nesse período e as fortunas particulares crescem e se acumulam em grande quantidade, porém havia em Paris apenas duas carruagens e a maior parte das pessoas andava à cavalo. Os soldados franceses em guerras eram os mais admirados da Europa, porém os gritos de guerra estavam abolidos e a moda dominava sobre a produção dos trajes militares no lugar da utilidade. Havia tecidos feitos de ouro e prata muitas vezes com técnicas rústicas de ourivesaria, porém houve parcial proibição desses tecidos, fazendo com que a moda se voltasse à seda prata e ouro em pequenas quantidades. É nessa era que a moda francesa torna-se tendência por toda a Europa. Há o caso em que o Papa Júlio II torna-se o primeiro a deixar a barba crescer e, em seguida, Francisco I da França copia o estilo, a partir desse acontecimento toda a corte francesa passa a adotar a ideia, a qual permanece por gerações.
Voltaire considera os franceses ignorantes na arte e ciência desse período por sua grande superstição que os leva a considerar certas inovações feitiçarias.
Francisco I, rei da França

Colonização Francesa no Brasil

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A aventura colonial francesa se inicia na era dos corsários, durante o Séc. XVI, quando o rei Francisco I envia Giovanni de Verrazzano em 1524 para explorar a América pela França em busca de uma passagem ao extremo norte ainda não explorado. Verrazzano chega à Baía de Nova York em seu navio Delfina, o único sobrevivente dentre os quatro que partiram da França. Em 1534 houve a tentativa de Jacques Cartier de colonizar o Rio São Lourenço. Já eram realizadas empreitadas de exploração da costa americana pelos franceses, sendo o litoral brasileiro responsável pela geração de produtos raros como pau-brasil, especiarias, papagaios e micos, os quais eram avidamente negociados com os nativos de cada região.
Em 1555, Nicolau Villegagnon, incentivado pelo rei Henrique II, inicia uma colônia de protestantes com dois navios que levaram 600 pessoas ao Novo Mundo em novembro desse ano. Sua missão era fundar uma base naval na região que facilitasse ações corsárias contra navios ibéricos. Essa colônia é instalada na Baía de Guanabara e passa a se denominar França Antártica. Villegagnon se alia aos Tamoios, nativos conhecidos também pelo nome de Tupinambá e que possuíam rivalidades com os indígenas conhecidos por Maracajá, aliados dos portugueses. O chefe tamoio Cunhambebe havia, há poucos anos, criado a Confederação dos Tamoios, a qual unificou seu povo. 
Cunhambebe
Foi fundado na Ilha do Governador o Forte Coligny pelos franceses para garantir seu desenvolvimento na região. 
Forte Coligny
Problemas surgem quando Villegagnon se converte novamente ao cristianismo e passa a prender, exilar e expulsar inúmeros colonos, sobretudo a partir de 1557, quando chega uma nova leva de colonos que traz consigo padres calvinistas. Então em 1560, Mem de Sá ataca a colônia francesa com 26 navios de guerra e apoio dos aliados Maracajá, destruindo o forte de Coligny, porém apenas sete anos depois é que Estácio de Sá elimina o restante dos colonos franceses da Baía.
Ruínas Forte de Villegagnon

Em 1596 um nobre francês chamado Charles des Vaux retorna à França após passar dois anos entre tupis na região do Maranhão com o intuito de falar ao rei Henrique IV a fim de convencê-lo a fundar colônia no local. Então em 1607 o rei envia Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, ao Brasil para comprovar as afirmações de des Vaux, porém, ao retornar, descobre que o rei havia sido assassinado por um católico fanático com perturbações mentais. Sendo assim, a corte não dá a La Ravardière mais do que sua permissão para a criação da desejada colônia, por conta da nova instabilidade política gerada e é apenas em 1611 que a rainha regente Maria de Medici o nomeia Lugar-tenente, posição que concedia apoio da coroa à colonização. Assim, em 1612, incentivados por Maria de Medici, a qual recomenda a predominância católica na colonização, os franceses realizam sua segunda tentativa de colonizar o Brasil, dessa vez dando o nome à sua colônia de “França Equinocial”.
Capital da França Equinocial
La Ravardière, Lugar-tenente General da Marinha Francesa, os colonos constroem o Forte de São Luís para proteger o território conquistado. A coroa passou a dar mais atenção à colonização, a qual é efetivada e comandada pela Companhia de São Cristóvão, empresa privada que recebeu concessão do Estado para colonizar e que fazia uso de homens marginalizados como força de trabalho, sendo caracterizada como “servidão branca”. Charles des Vaux foi o enviado para comunicar sua chegada aos chefes e anciãos tupis da região. Os últimos acolheram de bons grados os franceses, sua fé e suas mercadorias e os líderes da expedição passaram seus dias indo de aldeia em aldeia se apresentar aos nativos, tal qual faziam os padres que os acompanhavam. Era necessário conseguir apoio maior da coroa, portanto Rasilly, um dos líderes da expedição que também recebera título de Lugar-tenente, decide viajar à França. Tal ato leva os aliados nativos a enviarem com ele seis de seus homens, dos quais apenas três regressaram devido ás condições não comuns aos organismos dos nativos. Em 12 de abril de 1613, Rasilly e os três tupinambás chegam à França e recebem uma grande comoção entre o povo e um grande interesse na corte, desfilando pelas ruas, dançando e tocando músicas nativas, sendo recebidos como embaixadores no Louvre, sendo batizados – tendo o rei e a rainha regente como padrinhos – e casados com francesas. Eles retornam em 1614 ao Brasil com uma leva de nobres, padres e artesãos; Rasilly permanece na França com o intuito de conseguir ainda mais apoio da Metrópole. Em 1613, Portugal envia Gaspar de Souza à Pernambuco com a ordem de reconquistar o Maranhão. As batalhas iniciaram ao final de 1614 e tiveram um período de trégua e negociação, é em novembro de 1615 que a trégua termina e os portugueses tomam o forte na batalha de Guaxenduba.
Batalha de Guaxenduba
 No mesmo mês, o rei Luís XIII se casou com Ana da Áustria, herdeira do trono espanhol; tal casamento faz com que França e Espanha tenham entre si uma aliança que leva a colônia do Maranhão ao esquecimento devido ao período de União Ibérica (1580 – 1640) que estava vigente no momento. À partir desse fato a França volta seu interesse colonial para a América do Norte.