Narciso, o homem que se apaixona
pelo próprio reflexo em um lago e se afoga ao tentar beijá-lo. A cada dia o ser
humano caminha um passo a mais na direção do lago, até que chegue o momento da
queda e do afogamento. Empresas lançam novos produtos e publicidades no mercado
com o intuito de atrair desavisados até a “água”. É assim que o homem age nos
dias atuais, seja qual for sua classe social ou meio de vida, sempre percebemos
a vaidade do ser humano se sobressaindo como um dos principais valores.
Platão, ao dizer que o homem
deveria exercitar o corpo para manter equilíbrio com a mente, não pensou que
seria interpretado de forma tão egocêntrica. O ser humano está se exercitando,
como Platão previu, porém, seu foco não é o equilíbrio mental, mas sim a
satisfação do próprio homem. Criou-se uma cultura de culto ao corpo, culto aos
músculos e ao ideal grego de perfeição e, com tal cultura, o homem abriu mão de
sua saúde.
Muitas vezes presenciamos a
tristeza de uma mente vaidosa, seja pela constante insatisfação ou pelo aspecto
doentio que tal mente toma para si. Abdica-se da culinária saborosa em função
de um corpo ideal, sendo que sequer existe perfeição no mundo. Vemos pessoas
passando por cirurgias e tratamentos apenas para atingir certa estética,
pessoas empreendendo seu tempo livre e energia em uma causa muitas vezes
voltada apenas para os outros.
Infelizmente, tal como disse
Plauto: “Homo hominis lupus” (o homem é lobo do homem). A sociedade molda nosso
pensamento e forma de agir, portanto, se nos encaminhamos até o lago e lá nos
lançamos, é porque somos levados a isso. Saia desta armadilha social e siga o
exemplo de Platão: exercite sua mente e seu corpo para que haja harmonia entre
eles. Esqueça-se dos paradigmas sociais, levante-se e aprenda que a construção
social é você quem faz.
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