quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Onde Platão errou e Narciso acertou

Narciso, o homem que se apaixona pelo próprio reflexo em um lago e se afoga ao tentar beijá-lo. A cada dia o ser humano caminha um passo a mais na direção do lago, até que chegue o momento da queda e do afogamento. Empresas lançam novos produtos e publicidades no mercado com o intuito de atrair desavisados até a “água”. É assim que o homem age nos dias atuais, seja qual for sua classe social ou meio de vida, sempre percebemos a vaidade do ser humano se sobressaindo como um dos principais valores.
Platão, ao dizer que o homem deveria exercitar o corpo para manter equilíbrio com a mente, não pensou que seria interpretado de forma tão egocêntrica. O ser humano está se exercitando, como Platão previu, porém, seu foco não é o equilíbrio mental, mas sim a satisfação do próprio homem. Criou-se uma cultura de culto ao corpo, culto aos músculos e ao ideal grego de perfeição e, com tal cultura, o homem abriu mão de sua saúde.
Muitas vezes presenciamos a tristeza de uma mente vaidosa, seja pela constante insatisfação ou pelo aspecto doentio que tal mente toma para si. Abdica-se da culinária saborosa em função de um corpo ideal, sendo que sequer existe perfeição no mundo. Vemos pessoas passando por cirurgias e tratamentos apenas para atingir certa estética, pessoas empreendendo seu tempo livre e energia em uma causa muitas vezes voltada apenas para os outros.

Infelizmente, tal como disse Plauto: “Homo hominis lupus” (o homem é lobo do homem). A sociedade molda nosso pensamento e forma de agir, portanto, se nos encaminhamos até o lago e lá nos lançamos, é porque somos levados a isso. Saia desta armadilha social e siga o exemplo de Platão: exercite sua mente e seu corpo para que haja harmonia entre eles. Esqueça-se dos paradigmas sociais, levante-se e aprenda que a construção social é você quem faz.

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