A Via da Verdade é a parte do poema escrito por Parmênides
que expressa a existência do ser. A Via da Verdade fala que o Ser é e não pode
não ser porque se o Ser deixa de ser em algum momento ele se torna não Ser e
não mais é Ser. A Via da Verdade deixa claro que o Ser é e por isso pode ser
estudado e que, para entender o Ser, é necessário que utilizemos do logos e não
dos sentidos já que estes não são Ser e sim não Ser e, por isso, não são reais
e não podem ser utilizados para a compreensão do Ser. Fala também que o logos é
Ser e, portanto, pode e deve ser utilizado para a compreensão do mesmo.
Já a Via da Opinião é a parte do poema de Parmênides que
fala sobre os sentidos e o motivo de não poderem ser utilizados para o
entendimento do Ser. Os sentidos são não Ser e, sendo não Ser, não são reais.
Por não serem reais são apenas obstáculos ao entendimento do que é real e não
podem ser utilizados para compreender o que é. Os sentidos interpretam o Ser e
a interpretação do Ser feita por estes não traduz corretamente o Ser, pois
esses não o são. Os sentidos nos dizem que o não Ser existe ao nos mostrarem
que existe morte, porém a morte não existe porque a morte é não vida e sendo
não vida deixa de ser vida. Quando a morte não é vida se torna não Ser e o não
Ser não é real e é impossível.
A relação entre a Via da Verdade e a Via da Opinião é
justamente o fato de o Ser ser e não poder não ser. A Via da Verdade diz sobre
o Ser e a via da opinião diz sobre como o não Ser não pode ser e não existe. Ao
dizer que o não Ser não existe, pois não é Ser, podemos perceber a relação
entre Ser e não Ser, pois se não existisse o Ser não haveria como saber que não
existe não Ser.
A filosofia de Parmênides, ao definir que o Ser é e não
pode não ser, define também que ele é uno, imóvel, pleno, indivisível e eterno
porque, se o Ser é e apenas ele é Ser, ele é único, pois se existir outro Ser
este será o não Ser do primeiro Ser e o não Ser é impossível; é imóvel porque
se se transformasse não seria mais Ser e sim não Ser; é pleno porque não pode
haver algo que seja não Ser; é indivisível porque se se dividisse uma das
partes não seria mais Ser e sim não Ser da outra; e eterno porque se houvesse
surgido em algum momento ou se crescesse ou morresse deixaria de ser, pois
haveria se transformado.
Tais critérios para o Ser levaram aos filósofos que o
sucederam a tentarem conciliar o mundo como conhecemos com o Ser como deve ser,
pois percebemos o mundo a todo momento se transformando e, ao fazer isso,
deixaria de ser.
Podemos tirar como conclusão que o Ser pode ser
mesmo mudando em relação aos sentidos, pois o Ser não muda sua essência e se o
Ser se transforma à percepção dos sentidos não deixa de ser, pois os sentidos
não são e não o explicam corretamente. Portanto as mudanças no mundo que
conseguimos perceber são fruto da percepção dos sentidos e não são reais, como
não são reais o Ser que vemos em mudança não muda realmente, permanece a sua
essência e ele continua sendo Ser independente das mudanças que podemos
perceber.
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