segunda-feira, 27 de abril de 2015

Parmênides de Eleia

A Via da Verdade é a parte do poema escrito por Parmênides que expressa a existência do ser. A Via da Verdade fala que o Ser é e não pode não ser porque se o Ser deixa de ser em algum momento ele se torna não Ser e não mais é Ser. A Via da Verdade deixa claro que o Ser é e por isso pode ser estudado e que, para entender o Ser, é necessário que utilizemos do logos e não dos sentidos já que estes não são Ser e sim não Ser e, por isso, não são reais e não podem ser utilizados para a compreensão do Ser. Fala também que o logos é Ser e, portanto, pode e deve ser utilizado para a compreensão do mesmo.
Já a Via da Opinião é a parte do poema de Parmênides que fala sobre os sentidos e o motivo de não poderem ser utilizados para o entendimento do Ser. Os sentidos são não Ser e, sendo não Ser, não são reais. Por não serem reais são apenas obstáculos ao entendimento do que é real e não podem ser utilizados para compreender o que é. Os sentidos interpretam o Ser e a interpretação do Ser feita por estes não traduz corretamente o Ser, pois esses não o são. Os sentidos nos dizem que o não Ser existe ao nos mostrarem que existe morte, porém a morte não existe porque a morte é não vida e sendo não vida deixa de ser vida. Quando a morte não é vida se torna não Ser e o não Ser não é real e é impossível.
A relação entre a Via da Verdade e a Via da Opinião é justamente o fato de o Ser ser e não poder não ser. A Via da Verdade diz sobre o Ser e a via da opinião diz sobre como o não Ser não pode ser e não existe. Ao dizer que o não Ser não existe, pois não é Ser, podemos perceber a relação entre Ser e não Ser, pois se não existisse o Ser não haveria como saber que não existe não Ser.

A filosofia de Parmênides, ao definir que o Ser é e não pode não ser, define também que ele é uno, imóvel, pleno, indivisível e eterno porque, se o Ser é e apenas ele é Ser, ele é único, pois se existir outro Ser este será o não Ser do primeiro Ser e o não Ser é impossível; é imóvel porque se se transformasse não seria mais Ser e sim não Ser; é pleno porque não pode haver algo que seja não Ser; é indivisível porque se se dividisse uma das partes não seria mais Ser e sim não Ser da outra; e eterno porque se houvesse surgido em algum momento ou se crescesse ou morresse deixaria de ser, pois haveria se transformado.
Tais critérios para o Ser levaram aos filósofos que o sucederam a tentarem conciliar o mundo como conhecemos com o Ser como deve ser, pois percebemos o mundo a todo momento se transformando e, ao fazer isso, deixaria de ser.
Podemos tirar como conclusão que o Ser pode ser mesmo mudando em relação aos sentidos, pois o Ser não muda sua essência e se o Ser se transforma à percepção dos sentidos não deixa de ser, pois os sentidos não são e não o explicam corretamente. Portanto as mudanças no mundo que conseguimos perceber são fruto da percepção dos sentidos e não são reais, como não são reais o Ser que vemos em mudança não muda realmente, permanece a sua essência e ele continua sendo Ser independente das mudanças que podemos perceber.

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